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Miolo da figueira (Ilhíada em tom de Fofa) – José Francisco Costa (c/audio)

Miolo da figueira (Ilhíada em tom de Fofa) – José Francisco Costa (c/audio)

<br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://ww1.rtp.pt/script/player-4.3.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/39e/39ed40c742f5bd8a9a5d241d5c4e82fa1.mp3&streamer=rtmp://195.245.168.23/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://ww1.rtp.pt/script/player-4.3.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> <br /><br />Seleccionado e recitado por Olegario Paz<br /><br /><br /><br /><br />

Miolo da Figueira  
(Ilhíada em tom de Fofa)

Ti Moisés da terra verde
Põe-se a pensar como é
Que tanta gente se perde
Mesmo não tirando o pé

Do quintal onde ele tinha
Menos terra que figueira:
Era daí que provinha
Pouco fruto, e mais canseira.

E, na casa que era pouca
Para a gente que habitava,
Ti Maria deu em louca
Porque tudo aí faltava.

Tanta dor não aguentou
Que se quitou deste mundo.
Então Moisés enterrou
A figueira e o destino.

Da terra verde partido
À do verde ele chegou.
(Entre pobre ou dividido
sabe lá o que escolheu…).

Ti Moisés põe-se a sorrir
Com vontade de chorar.
E, na ânsia de partir,
Ti Moisés há-de ficar

 A cantar:

Oi, fofa da minha vida
Ai vida irmã da morte
Quis dançar a fofa antiga
Quis dançar a fofa antiga
Fiquei sem balho nem sorte.

José Francisco Costa
(Poema Inédito)

José Francisco Costa (1946), professor, poeta, músico. Natural das Capelas, ilha de S. Miguel, vive em Rhode Island e lecciona no Bristol Community College, onde é director do LusoCenter.