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Moisés Silveira, “Atirei cinzas” e outros – (c/áudio)- Olegário Paz

Moisés Silveira, “Atirei cinzas” e outros – (c/áudio)- Olegário Paz

<b>Açorianidade - 183</b><b>  </b>[Moisés Silveira, "Atirei cinzas" e outros. Grupo Etnográfico da Beira - S. Jorge, "As praias"]. <div><br /></div> <div>PorqueHojeEhSabado 2014.02.22<br /><br /><br /></div>

(Gustave Caillebotte 1848-1894)

[Atirei cinzas] 


Atirei cinzas
Fiquei queimado
Nas brasas do lume que arde
Matei as brasas
Matei saudade
Da comida de minha avó
Feita nas brasas do passado

05/04/2011

[A maresia da minha ilha]

A maresia da minha ilha
Tem lençóis brancos destruídos
Tem canas de braços partidos
Searas a estremecer de frio
O mar de barcos vazio
E nas encostas
Onde estremecem as faias
As gaivotas não pairam
E os homens andam tristes

12/08/2011

[Cravei a ferradura]

Cravei a ferradura
Lavrei a terra
De pedra dura
Fiz canteiros de vinha
Semeei o trigo
Nas enseadas pus os barcos
Da rocha dura tirei alimento
Com as mãos calejadas
Fiz uma ilha diferente
E hoje não descanso
Tiro dela o meu sustento

07/11/2011

Moisés Silveira, Inéditos.



Moisés Pedro Cunha da Silveira (1960), funcionário público aposentado, natural do Topo, ilha de São Jorge, trabalhou em Santo Antão da mesma ilha e reside na freguesia natal.