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Morão Correia: Poema do Homem das Ilhas de Bruma (Som) Por Olegário Paz

Morão Correia: Poema do Homem das Ilhas de Bruma (Som) Por Olegário Paz

AÇORIANIDADE 239 PorqueHojeEhSabado 2015.05.23

Eu sou o Homem das Ilhas de Bruma…

Vivo no meio das ondas alterosas,

Sentinela vigilante do meu Mundo.

Sob um céu de manchas vaporosas…

Tenho ao redor de mim o Mar profundo.

[…]

Deixem-me viver e sonhar

Nas minhas Ilhas de Bruma…

Deixem-me arquitectar

Nos rochedos, junto ao Mar,

Os meus Castelos de Espuma

E o meu Palácio Encantado

Feito de Amor e Tormento,

Onde leio o significado

Do meu próprio Sofrimento…

E do varandim rendilhado

Do meu Palácio Encantado

No meio da Solidão,

Por uma noite estrelada

Eu hei-de lançar ao Mar

A minha Taça Encantada,

Cálix da minha Paixão…

E o Mar há-de acolhê-la

No seu seio vagabundo…

E, cioso, há-de sorvê-la,

Levando através do Mundo

O Segredo do meu Amor…

[…]

Morão Correia,


Poema do Homem das Ilhas de Bruma,

Horta, Edição do autor, 1952.

Correia, Sebastião António Morão (1915-?), professor, inspector escolar, poeta, natural de Idanha-a-Nova, açoriano de afeição, trabalhou nas cidades de Guarda, Castelo Branco, Portalegre e Horta, bem como em Goa e em Luanda.