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Navegar no mar do espanto – João Luís de Medeiros

<br /><br />foto:Rumo ao Pico,set.2008 de Lélia Nunes<br /><img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/d9/d94b983926dd654500125c988fa74603&w=420&sx=0&sy=0&sw=314&sh=235&q=75" /><br />

Navegar no mar do espanto

A dor humana olha a vida pela vidraça
que disfarça o perfil oculto das origens…
Vamos penetrar o arco-íris da paz  
em busca da sombra do futuro;
vamos soletrar o alfabeto do silêncio
impresso nas sebentas que o tempo
esconde na muralha esfarelada da memória…

     Os poetas são alavancas de alecrim
     que perfumam o chão dum viver a prazo
     em demanda de pátrias do bom-fim…
     Poetas! poetas-emigrantes, vassalos do ideal
     (navega)dores no mar do espanto
     sob o olhar matreiro da estrela-polar            
     cúmplice dos vendavais do bem e do mal…

Acreditar! Acreditar é navegar em caravelas
na contra-corrente dos oceanos da existência
com destinos à proa, na ânsia de chegar…
Ó ceus! bem-vinda seja a gota do presente 
caída no charco do tempo que nos resta:
cada episódio da vida faz parte do rodopiar  
da aragem do Nada que a eternidade empresta…

JLM