Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.
No aniversário de  Emanuel Félix: APELO PARACLETO

No aniversário de Emanuel Félix: APELO PARACLETO

<br /><br />"Os mortos como as sementes/são enterrados/Penetram/a dimensão só a eles acessível/atraídos pelo mistério do renascimento/e da fertilidades sem tréguas. /Como as sementes /esperam/ o seu regresso à vida/ sob uma nova forma." <br />(In: Habitação da Chuva, 1997;2003:216).<br /><br /><br />Uma homenagem do Blog Comunidades, na data do seu aniversário.  Com a saudade de todos nós.<br />Lélia Pereira Nunes  e Irene Maria F. Blayer

APELO PARACLETO

Para o Francisco Jorge

Deixa-te estar assim um instante mais pousada
no parapeito da janela,
antiquíssima profetisa dos bosques.

Não te vás,
pequeno deus do orvalho
(pelo menos enquanto escrevo este poema).

Deixa-te estar um instante mais
pousada
no parapeito da janela
que eu não sou caçador não ouso
armadilhas nem flechas
nem te levarei de oferta à minha amada,
noiva de Salomão,
ave sagrada de Afrodite,
símbolo talmúdico da castidade.

Fica,
alado peixe duplo,
breve mensageira da Grande Mãe Telúrica.

Deixa-te estar um instante mais pousada
no parapeito da janela,
portadora do ramo de oliveira.

Quero saber se o Dilúvio Universal
já acabou lá fora
e se o Espírito de Deus paira de novo sobre
as águas da substância primordial
indiferenciada.

O Instante Suspenso (1992)