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No Campo – Osório Goulart

No Campo – Osório Goulart

Seleccionado e declamado por Olegário Paz <br />(c/áudio)<br /><br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/55e/55e481ae333fc212e82c82751ff1bce21.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> <br /><br /><br /><br />

Açorianidade – 57 [Osório Goulart, “No Campo”. Carlos Paredes, “Porto Santo”] José Osório Goulart (1868-1960), poeta, orador, ensaísta, nasceu na cidade da Horta, ilha do Faial, onde trabalhou e residiu.

No Campo

Dez horas da manhã. Que brilho intenso e vivo!
Nas amplidões do céu esplende o sol altivo,
Como uma sinfonia estranha e luminosa,
Feita da irradiação da luz esplendorosa.
Uma alegria imensa inunda e doira os prados,
Ouvem-se os bois mugir em torno dos eirados,
E à doce vibração das límpidas canções
Que soltam pelo campo os fortes aldeões
Une-se o gargalhar alegre das ceifeiras
Que sobre os trilhos vão debulhando nas eiras.
Traz-nos de quando em quando a viração suave
Aromas de lilás ou um gorgeio de ave.
Estendidos ao sol dormem cães nos portais,
Ruminam mansamente as rezes nos currais,
Mulheres lavam roupa à sombra das latadas,
Os carros vão cantando ao longe nas estradas
E sai da fresquidão sombria da taberna
Ao toque da guitarra uma elegia terna.
No adro da velha igreja os campónios os robustos
Trabalham com afan: aparam arbustos,
Levantam mastaréus para a festa do orago.
Passa a aragem subtil, doce como um afago…
Que esplêndida manhã! Que brilho intenso e vivo
Nas amplidões do céu espalha o sol altivo!

Osório Goulart,
Polifonias, Cruz, Sousa e Barbosa, L.da, Porto, 1926.

 

Crédito Imagem: Jorge Blayer Góis