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Num Campo de Nada (c/áudio) – Marta Furtado

Poema seleccionado e declamado por Olegário Paz (netAntologia)<br /><br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://ww1.rtp.pt/script/player-4.3.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/0c6/0c6d0401899b440029d632c3515d0cb81.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://ww1.rtp.pt/script/player-4.3.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

Num Campo de Nada

XXXII

Curriculum vitae

Marta Machado Furtado   28 anos

É a primeira vez que venho ao mundo
daí que não saiba nem sinta absolutamente nada.

O meu curriculum vitae…
não há factos a registar nele.
Nunca pensei no futuro,
nunca pensei ou achei que tivesse direito a uma vida.
Sempre saí de todas as situações pela porta dos fundos
para ninguém reparar que nada sei.
Sou como um trapezista que se agarra à corda e mais nada.
Para fazer determinado gesto é preciso que o sinta.
E se ache com pleno direito.

XXXIV

Não sou eu que sou diferente
vocês é que são muito
uns iguais aos outros.

XLIII

Um dia flui como um rio, este diário é uma pequena barragem.

LXIII

Mão ao alto! Disse a vida.

 

Marta Furtado,
Num Campo de Nada,
Nova Gráfica, [Ponta Delgada], 2006.

Marta Machado Furtado (1976-2004), estudante, natural de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel

Olegário Paz (netAntologia)