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O Livro VIVE Sérgio da Costa Ramos

Em tempos de Bienal do Livro ,a crônica certeira do ilhéu Sérgio da Costa Ramos<br /><img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/17/175ff94b63f0b5e49cbf9d36c861dd80&w=420&sx=0&sy=0&sw=250&sh=208&q=75" /><br />“É importante que nos unamos em torno de uma proposta para que o livro seja um bem dos brasileiros”.<br />Pres. Dilma Rousseff,na abertura da XV Bienal do Rio,1º/setembro<br />

O Livro Vive
Sérgio da Costa Ramos

O Livro VIVE
Sérgio da Costa Ramos
Na véspera de uma nova Bienal do Livro, perguntaram ao editor Roberto Feith (Objetiva) se ele achava que o velho caderno de folhas impressas, chamado livro, ainda teria alguma sobrevida com o império dos meios eletrônicos.

Feith tem fé que sim. O livro tradicional vive, não apenas sobrevive.

Os Ipads estão chegando, mas em dois anos de vida ainda não se massificaram, até pelo preço salgado. E os Kindles, o equipamento-leitor do livro virtual, demorarão ainda uma geração para alcançar preços palatáveis.

A grande transformação dos próximos anos será a massificação das novas mídias, o que poderá, aí sim, limitar os meios tradicionais.

Mas o livro tem um parentesco inalienável com a história da leitura. Leitor voraz e ciumento, um grão-vizir da antiga Pérsia carregava sua biblioteca quando viajava, acomodando-a em quatrocentos camelos treinados para andar em ordem alfabética.

No século 14, uma mulher da nobreza francesa se afeiçoou de tal maneira aos seus livros que deles se tornou “viciada”. A Condessa D’Artois viajava com sua biblioteca em grandes malas de couro e, à noite, uma dama de companhia lia para sua ama uma obra filosófica ou algum relato que contivesse a emoção da “aventura” – As Viagens de Marco Pólo, por exemplo.

Ter um livro em casa era “chamar” a família e até a vizinhança para dele desfrutar, como se fossem os aparelhos de televisão dos anos 1950: juntavam-se na mesma sala as pessoas da família e até os estranhos, os chamados “televizinhos”.

Reunir-se para ouvir alguém ler tornou-se uma prática comum na Idade Média, depois da invenção da imprensa, por Gutenberg, em Mainz, Alemanha, 1450. Famílias liam em grupo, geralmente antes do jantar – e até durante alguma pantagruélica refeição, Festas de Babette para motivar outros sentidos além da audição.

Alberto Mangüel – que na infância lia para o cego Jorge Luís Borges – revela em seu livro A História da Leitura que ler “à mesa” não tinha a intenção de “distrair as alegrias do paladar”. Não. A idéia era juntar os dois prazeres:

– A leitura era mais um “prato”. Realçava a alegria do palato com uma diversão criativa, uma prática herdada dos tempos do Império Romano.

Como se vê, o livro já desempenhou papéis muito mais importantes no dia a dia da família, hoje obsedada pela caixinha eletrônica da televisão.

Ler é, talvez, o maior dos atributos do ser pensante e a joia mais cintilante de toda a engenharia intelectual. Ler é tão importante quanto cada um dos outros cinco sentidos.

Deixar-se obsedar pela tevê é que é uma atitude reflexa e passiva, em que até as emoções já vem prontas e embaladas, com os risos e os aplausos embutidos..

Ler, sim, é que é um belo exercício de imaginação. Não deixa de ser uma forma diferente do leitor ligar a seletiva “televisão” que habita o seu cérebro.

Uma tevê inteligente e colorida, cuja programação nunca se repete, pois o canal da imaginação é de uma novidade infinita, um múltiplo caleidoscópio – com o apuro e a definição de uma tevê digital.

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Sérgio da Costa Ramos
,um dos mais renomados e prestigiados cronistas do Sul do Brasil.  Um nome que já atravessou as fronteiras da imprensa regional e navega livremente por outros mares. Culto,elegante. Crônicas com humor,sabor,picardia e leves no fluir…Gosto muito das crônicas do Sérgio.