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O menino que rola o arco, António Dacosta (Som) Por Olegário Paz

AÇORIANIDADE 245 PorqueHojeEhSabado 2015.07.04

[O menino que rola o arco]

O menino que rola o arco

Já o rolava antes

Meu irmão das cavernas

Tu que não sabias

Perdeste o medo

E fizeste uma teoria

Mas quem te criou assim único?

[Varanda da minha infância]

Varanda da minha infância

Cidade feliz

De teus ócios merecidos

Chegou o fim amargo

Do meu último olhar

Vejo enfim as calmas areias quentes

Os fetos das fontes que o tempo secou

O fundo poço que sou e é velho e é triste

Nada muda o destino deste parado barco

O mar dorme em paz e sossego

A terra mostra ao sol os seios preguiçosos

As mulheres espreitam arrepiadas às janelas

Do caminho sobem ao céu súbitas nuvens de poeira

Tudo é divino à luz dourada dourado

Só eu sou levado de mim e me perco


DaCosta,
A cal dos muros,
Assírio e Alvim, Lisboa, 1994.


Costa, António da (Jr.) (1914-1990), pintor, poeta, crítico de arte, natural da cidade de Angra do Heroísmo, residiu e trabalhou em Lisboa e em Paris onde veio a falecer.

Nota: Com DaCosta, o PorqueHojeEhSabado encerra a 6ª série e dá férias aos ouvintes / leitores com votos de bom verão.