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Palmira Jorge, “Meu aniversário” – (c/áudio) Olegário Paz

PorqueHojeEhSabado 2016.01.16 Açorianidade – 265 [Palmira Jorge, “Meu aniversário”. Maria Antónia Esteves, “O cabeçal onde me deito”].




MEU ANIVERSÁRIO

Inverno rigoroso, manhã escura e fria,
Manhã tempestuosa, rugia o vendaval;
Soprava rijamente o vento, o mar bramia,
As rochas açoitando, varrendo o areal.

Em luta os elementos, de negro o Céu forrado,
Cuspia contra a terra gelados aguaceiros;
A rubra goela abrindo mostrava, incendiado
O seio donde partiam descargas e morteiros.

Do mar flocos d’espumas de longe arremessados
Batiam nas vidraças que o vento sacudia;
Ruídos do Oceano, da chuva nos telhados,
Da infrene trovoada, do norte que gemia.

Foi ao som deste concerto que nasci,
Foi à luz desta tormenta que a luz vi.

Palmira Jorge,
In O Telégrafo, “Poetas desconhecidos”, Horta, 20.12.1966.


Jorge, Maria Palmira dos Santos (1872-1956) professora, poeta, natural da ilha da Corvo, residiu e trabalhou na freguesia de Fajãzinha, ilha das Flores, e na cidade de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, tendo vindo a falecer em Lisboa.