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PENTEANDO A MEMÓRIA – 1 – Carlos Enes

<p><br /><br /><br />  <img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/73/7301bdcf12fc4afc572bf7bedaac00d3&w=420&sx=0&sy=0&sw=288&sh=448&q=75" /><br />monumento A Memória</p>

 

 

NOTA INTRODUTÓRIA

Esta coluna tem por finalidade apresentar, em cada apontamento, uma ou mais fotografias da ilha Terceira com o correspondente enquadramento histórico. Será, de certo modo, uma forma de irmos penteando a memória, recebendo ou refrescando informação que se havia diluído no tempo.

A temática irá percorrendo os caminhos mais diversos, em torno de eventos políticos, sociais ou culturais, a partir da minha colecção de fotografias. Os ambientes da ilha Terceira são aqueles que domino com mais facilidade, mas isso não exclui possíveis incursões pelas outras ilhas.

A rubrica inicia-se com um tema de grande valor simbólico, por representar o ex-libris de Angra.

A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV, o monarca que se deslocou aos Açores, em 1832, para liderar as tropas que lutavam pela implantação do regime liberal.

A ideia de erguer-lhe um monumento foi decidida em 1835, mas vários contratempos foram adiando o projecto. Só no dia 3 de Março de 1845, data do aniversário da chegada de D. Pedro à ilha, decorreu a cerimónia do lançamento da primeira pedra.

Uma cerimónia de grande pompa que movimentou todas as autoridades da ilha. O cortejo saído da Câmara Municipal subiu a Rua da Sé, passando pela Rua do Rego em direcção à Miragaia para terminar no largo do antigo Castelo dos Moinhos.

A pedra que serviu de alicerce foi simbolicamente escolhida como sendo a primeira que D. Pedro havia pisado ao desembarcar; junto com ela foi colocado um cofre com vários objectos relacionados com as lutas liberais. Teotónio Bruges, o herói terceirense deste período, mais conhecido como Conde da Praia, assumiu um papel de relevo em toda a cerimónia.  

Com os donativos que foram sendo recolhidos, a pirâmide ficou concluída em 1856. Após uma pausa nas obras, os trabalhos de ordenamento do espaço circundante iniciaram-se em 1862, desconhecendo-se a data em que foram concluídos. O lado do quadrado da base da pirâmide tem 6,82 m e a altura atinge os 21,76 m.

A 6 de Fevereiro de 1912, um raio danificou o monumento, como se pode constatar pela foto; danos maiores foram provocados pelo sismo de 1980, mas no dia 25 de Abril de 1985, já estava recuperada. Com toda a sua simplicidade, continua a evocar os feitos dos Bravos de Mindelo que abriram as portas do Portugal Moderno.

  PENTEANDO A MEMÓRIA – 1 - Carlos Enes
 memória-raio-1912

Carlos Enes