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`Poema` de Jacinto Soares de Albergaria – POR Olegário Paz
(c/áudio)

`Poema` de Jacinto Soares de Albergaria – POR Olegário Paz (c/áudio)

<p align="right">AÇORIANIDADE - 86 [Jacinto S. de Albergaria, "Poema". Debussy, "Chidren's Corner 2"]</p> <p> </p> <br /> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/5b7/5b7e3226e6253029b9a5c1e2dc3410fd1.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> <br /><br /><br />

Poema

Vim da escola no meu cansaço,
e vim porque afinal a rua me seguia,
como se fora a minha sombra
ou a cadência do meu passo.
Era noite e as estrelas,
em sensações perdidas
tinham janelas
que se fechavam na vidraça,
só de vê-las.
O resto é como quem passa:
olhando um cão vadio,
a montra duma loja,
ouvindo a sirene dum navio
e, indiferente,
esconder na algibeira
a própria alma
ou a cigarreira.
A rua tem uma curva
e vive na minha alma a curva do horizonte
que a sirene do navio me fechou
e vive o pesadelo de me trazer
amachucado no destino
de me supor antigamente
e vive um papel proscrito
na minha alma de sempre
e vive tanta coisa na minha algibeira,
onde guardo o horário da escola,
a caneta a riscar um grito
e a cigarreira.

Jacinto Soares de Albergaria, Atlântida, União Gráfica Angrense, Angra do Heroísmo, Julho / Agosto, 1959.

Jacinto Soares de Albergaria (1928-1981), professor, poeta, nasceu na cidade de Ponta Delgada onde trabalhou, residiu e faleceu.

Imagem de:  http://farm4.static.flickr.com/3321/3239275787_b0a5c6b903.jpg