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Poema do Dia: «FIVE O`CLOCK TEAR»
 Emanuel Félix

Poema do Dia: «FIVE O`CLOCK TEAR» Emanuel Félix

Dito por:José Carlos Jorge<br />Comentários de:Regina Amaral e Urbano Bettencourt<br /><br />O Projeto "Poema do Dia" é uma produção da Associação Cultural Despe-Te-Que-Suas em co-produção com a Antena1/Açores e com o apoio do Governo dos Açores e que o Blog Comunidades está reapresentando depois de grande sucesso em 2011 na Antena1/Açores.<br />Tem a Direção de Nelson Cabral e a competente consultoria de Urbano Bettencourt.<br /><br /><br /><br /> <div class="Fontsmall" style="color: #271d21; font-family: Arial,Tahoma,Helvetica,FreeSans,sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: 18px; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; background-color: #dac3a7; clear: both; text-align: center;"><i>Jean-Siméon Chardin. Mulher tomando chá. c.1736.</i></div> <div class="Fontsmall" style="color: #271d21; font-family: Arial,Tahoma,Helvetica,FreeSans,sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: 18px; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; background-color: #dac3a7; clear: both; text-align: center;"><i>óleo sobre tela; 61,5 x 66,5cm.  Londres, National Gallery</i></div> <div class="Fontsmall" style="color: #271d21; font-family: Arial,Tahoma,Helvetica,FreeSans,sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: 18px; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; background-color: #dac3a7; clear: both; text-align: center;">.</div> <br />

FIVE O’CLOCK TEAR
 Emanuel Felix

Coisa tão triste aqui esta mulher
com seus dedos parados no deserto dos joelhos
com seus olhos voando devagar sobre a mesa
para pousar no talher
Coisa mais triste o seu vaivém macio
p’ra não amachucar uma invisível flora
que cresce na penumbra
dos velhos corredores desta casa onde mora
Que triste o seu entrar de novo nesta sala
que triste a sua chávena
e o gesto de pegá-la
E que triste e que triste a cadeira amarela
de onde se ergue um sossego um sossego infinito
que é apenas de vê-la
e por isso esquisito
E que tristes de súbito os seus pés nos sapatos
seus seios seus cabelos o seu corpo inclinado
o álbum a mesinha as manchas dos retratos
E que infinitamente triste triste
o selo do silêncio do silêncio
colado ao papel das paredes
da sala digo cela
em que comigo a vedes
Mas que infinitamente ainda mais triste triste
a chávena pousada
e o olhar confortando uma flor já esquecida
do sol
do ar
lá de fora
(da vida)
numa jarra parada.

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