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Poema do Dia:YOU ARE WELCOME TO ELSINORE *
 Mário Cezariny

Poema do Dia:YOU ARE WELCOME TO ELSINORE * Mário Cezariny

Dito por Nelson Cabral;<br />Comentários de Sílvia Moreira e Urbano Bettencour<br /><br /><br />No ano de 2011, durante 4 meses, Poema do Dia foi uma rubrica diária de poesia na Antena1/Açores.<br />Direção: Nelson Cabral<br />Consultoria: Urbano Bettencourt<br />Música: João Macedo<br />Design: Joana Dias<br />Produção: Nelson Cabral e Paulo Vasconcelos<br />Apoio técnico: Antena1/Açores<br />Elenco: <br />Ana Costa, Anabela Almeida, Fátima Sousa, José Carlos Jorge, José Medeiros, Margarida Benevides, Nelson Cabral, Paula Coelho, Pedro Cerqueira, Raul Resendes, São Medeiros e Sónia Maia Teixeira.<br />//<br />O Projeto "Poema do Dia" é uma produção da Associação Cultural Despe-Te-Que-Suas em co-produção com a Antena1/Açores e com o apoio do Governo dos Açores e que o Blog Comunidades está reapresentando.<br /><br /><br /><br />Mario Cezariny (1923-2006)<br /><br />

YOU ARE WELCOME TO ELSINORE **
Mário Cesariny

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar.