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Poemas de  Adelaide Freitas

Poemas de Adelaide Freitas

<br /><br /><br /><br /><br />foto de José Borges

Menina De Olhar

Menina de olhar sereno,que dizes? – Abandono,
solidão,desencontro – quem me compra?
Menina distante…
sorriso de boca que o olhar não acompanha.
Ali,apenas levada,transportada num gesto der-
ramado
de prolongamento e espera…
Não escuta o búzio do mar
mas é leva da terra.

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XXV

Quando a ilha acorda
toda ela novidade
sol varrido
conteia molhada
desmaio enfeitiçado
curso de água
Frecura! Humidade!
Leveza orgásmica
no musgo felpudo
Bago de uva
no cálice deitado
Rosto de criança
fragmento esfarrapado
Farpa dorida
refracção de raio
na água cativa
Ilha acordada
milagre de Vida.

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No esgar da noite

No esgar da noite escura
rompe o grito da vida
viscoso se derrama,
na terra vulcânica e fria.
Olha em toda a sua volta,
montanhas e precipícios;
debaixo,a terra a tremer,
por cima nuvens a pique.
Os passos hesitantes,
no chão se equilibram;
montanhas sobem e descem
e as nuvens dissipam.
Os braços que se estendem,
no alto se crucificam,
e os pés suspendentes
o vulcão desafiam.
Treme a terra,treme a terra,
que tudo abala e aniquila,
e o grito,preso no alto
em cântico tudo alumia.

Fonte: On a leaf of blue: bilingual anthology of Azorean contemporary poetry/ translated and oganized by Diniz Borges,2003
p.3,5,7 (em Português)

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