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QUARESMA 2013 – A CASA DAS ORDEM – Mário T Cabral

<br /><br /> <p align="center"><img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/d3/d32922fbb7d905ff273bdcc020432286&w=420&sx=0&sy=0&sw=10000&sh=10000&q=75" /><br />Ex-Casa da Ordem da OFS de Angra, © MTCabral, 2013</p>

38. QUARESMA 2013

g) A CASA DAS ORDEM

 

Os Terceiros costumavam ter uma casa, chamada “A Casa da Ordem”. Hão de, por certo, continuar a ter, menos nas ilhas dos Açores. Com frequência, ficava colada à igreja do convento; ou no adro paroquial.

A de Angra dava acesso direto à ainda denominada “capela dos Terceiros”, à esquerda do altar-mor. Agora, funciona lá o Instituto Histórico da Ilha Terceira, entidade republicana.

Nas freguesias, fazia-se a “procissão do cordão” – pequena, mimosa, ritual apenas para os irmãos, que saía da casa e entrava na igreja; assim amam os Terceiros rezar movimentando-se no espaço, como quem dança.

Em Portugal, muitas fraternidades têm bens: ficaram com a posse das igrejas e dos conventos, depois das lutas liberais; têm hospitais; têm IPSS (creches, asilos, bairros sociais)…

Nas ilhas, não têm onde repousar a cabeça. Queixam-se de nem um armário possuírem para guardar livros, alfaias sagradas, porta-estandartes, quadros da Via-Sacra… Vivem de favor, quase sempre numa sala da igreja, como qualquer movimento paroquial.

Atrás de tempo, tempo vem, e bem pode acontecer que um irmão, ao morrer, deixe uma casa à sua fraternidade, como se usava, antigamente. A primeira coisa que há a fazer é cuidar do registo de propriedade, aprendendo com as peripécias da História. Nada do que é humano é seguro, mas há que salvaguardar, com base na experiência.

Esta casa há de ter uma capela privada, e um salão para acolher eventos culturais, como palestras, concertos e exposições, abrindo a Ordem a novos horizontes.

Alguns quartos servirão para socorrer os irmãos mais velhos e desprotegidos, numa época em que a família natural está em crise profunda e os asilos massificam e desumanizam.

Os irmãos casados poderão deixar na creche da casa os seus filhos, ao cuidado de outros irmãos, que os ensinarão dentro do nosso Credo, da nossa fé e da nossa esperança.

Um alqueire ou dois de terra será quanto baste para um pequeno jardim, uma horta razoável, uns currais de porcos e de galinhas, um pasto para uma vaca, umas ovelhas… e há de haver cães e gatos, um tanque com peixes.

Se houver espaço para um par de oficinas, que sejam feitas. Muita arte manual está a desaparecer, por ignorância; e os Terceiros são povo de ofícios tradicionais vários.

Por entre o jardim, a horta e as oficinas há de haver os passos da Via-Sacra, para procissões do cordão.

É urgente ganhar, no mínimo, oitocentos anos de futuro, como de passado. Inovar, na mesma essência; semear um cântico novo para o Senhor do Universo.