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ressonâncias nostálgicas… (*)
João-Luís de Medeiros

ressonâncias nostálgicas… (*) João-Luís de Medeiros

<br /><br /><br /><br /><br /><em>foto:João-Luís de Medeiros e Fernando Aires,Furnas,São Miguel,2009</em>

ressonâncias nostálgicas… (*)

Antero… Florbela…
dois sonetos, um só hino
ditados na mesma escrita…
partiram a toda a sela
sem reservar um destino
nem dizer “adeus” à vida…

… tanta pressa de viver
dois versos num só poema…
Florbela veio a nascer
já Antero tinha partido
sem decifrar o dilema
de morrer sem ter vivido…

Adeus, irmã Florbela…
nos intervalos da dor
a vida inventa a festa
com ritmos de nostalgia …
(o que a morte mais detesta
é dar vida à poesia…)

— — — — —
João-Luís de Medeiros

(*) Flobela Espanca decidiu morrer no dia dos seus 36 anos (Dec. 8 1894 – Dec. 8 1930);
Antero de Quental tinha já “seguido” viagem eterna, 39 anos antes…