NOCTURNO
Em pleno campo; em plena Natureza.
Na minha frente, o mar, como horizonte,
um espelhado mar, azul-turqueza;
por detrás, densa fronde e um alto monte.
Ouço, perto, o sussurro de uma fonte,
carpindo melancólica tristeza…
Ao longe, pela aldeia, além da ponte,
ladram os cães de fila, com braveza.
A lua, quase cheia, vai boiando
na vastidão azul e derramando
pela terra bendita o seu clarão…
E eu sinto nesta paz, tão doce e calma,
elevar-se, do fundo da minh’alma,
ao Grande Criador uma oração…
Rolando de Viveiros,
Versos,
Ed. da família, Ponta Delgada, 1979.