Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.

Rui Galvão de Carvalho, “Sol-Posto”- Olegário Paz (som)

<br /><br /><br /><img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/fa/fa70880ded6eec655afc450d10643727&w=420&sx=0&sy=0&sw=10000&sh=10000&q=75 " height="74" width="97" /><br /><br /><br />Açorianidade - 129 [Rui Galvão de Carvalho, "Sol-Posto". Vivaldi, Outono-Vivace"]



Sol-Pôsto

É ao tombar da noite, tarde ainda,
Quando as sombras dos Longes vêm descendo
Sôbre os montes, e as coisas vão perdendo
A sua côr real, intensa e linda…

É a hora do Ocaso, hora em que finda
Tôda a labuta, quando se escondendo
O Sol, no Adeus final, a terra vendo,
Tem síncopes de luz na treva infinda!

Hora crepuscular e transitória,
Em que a Alma das coisas se transporta
A um mundo aéreo, a estância perfumada…

— Sol-Pôsto! Extrema-Unção do dia, e glória
Da noite perpetuando a vida! — porta
Aberta sobre o pélago do Nada!…

Ruy Galvão de Carvalho,
Sol – Pôsto,
Angra do Heroísmo, Livraria Editora Andrade, 1935.

Rui Galvão de Carvalho (1903-1991) professor, escritor, poeta, nasceu na freguesia de Rabo de Peixe, residiu, trabalhou e faleceu na cidade de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel.

————-
Imagem de http://talmudiando.blogspot.ca/