Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.

SORTILÉGIO Eduíno de Jesus

<span style="font-family: "Times New Roman","serif";"><span style="font-size: small;"><span style="line-height: 115%; font-family: "Times New Roman","serif"; font-size: 10pt;"> <p class="MsoNormal"> </p> <p> "...mas foi assim mesmo, foi mesmo verdade?  lembro tudo sofrendo um pouco por já não ser, com o medo de que nem sequer tivesse sido ( Oh!, 'Em que desvios a razão se perde!', como naquele decassílabo sáfico de Pessanha)."<br /><br /><br /><br />Neste 11 de Junho permanece o recordo, a memória, de um espaço, de uma presença que ocupam um lugar singular que se embrulha numa temporalidade que não se deixa encerrar nos limites;  transcende e assume-se num imaginário cuja  representatividade parece difundir-se ... e  ressoar  na singular conjugação do impulso poético deste 'sortilégio'. IBlayer</p> </span></span></span>

 

SORTILÉGIO

E preso
de encantos e medos,
Saudade!,
os teus olhos fundos, com
a noite à flor, serena, olho-os:

Surpreso
(e por que segredos,
Saudade?)
de neles ouvir um som
de água do mar nos escolhos.

O peso
que têm os teus dedos,
Saudade!
E, todavia, que bom
senti-los sobre os meus olhos…

 

Eduíno de Jesus “Sortilégio” Os Silos do Silêncio: poesia (1948-2004). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. 2005:119.