(Claude Monet – 1840-1926)
O Sol esmorece nas colinas!
E retintas de amargo
as naus fazem-se ao largo
num mar cor de nuvens.
Dos mastros chega-me o sal
na brisa oblíqua do vento.
Nada do que sinto invento
que a vida é essa inquietude
de corais submersos e sem fundo.
E fui sempre.
Sempre essa praia inquieta
com nódulos de bruma
a rasgar-me a distância.
Da areia cresceram
ondas de ânsia
no vaivém mortiço de um adeus
que jamais se desprenderam
de nenhum olhar dos meus!
J. Tavares de Melo,
Mão Inquieta ou a indefinível inquietude,
Ponta Delgada, G. Desportivo dos Empregados do BCA, 1991.