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Tempestades de alma

Tempestades de alma

AÇORIANIDADE 238 PorqueHojeEhSabado 2015.05.16



O Mar gemia e espreguiçava os braços,

em convulsões, como ondas de espuma,

fazendo côro co’a imensidão da bruma,

que se estendia aos celestiais espaços…

E eis sonhei com as visões de bruma,

que alucinavam como ardentes laços,

vendo-as quais ondas, feitas em pedaços:

imagem da utopia que se esfuma…

Como essas, bem são, por esse Mundo,

as hecatombes que atormentam vidas,

num egoísmo malfadado e imundo.

Louros, troféus, vitórias mui subidas

se somem, muita vez, no abismo fundo:

a Glória tem também suas descidas…


José da Costa,

Relicário Poético,

Ed. do autor (Tip. Moderna), Angra do Heroísmo, 1965.



Costa, José de Sousa da (1896-1979) funcionário público, poeta, natural da freguesia de Terra Chã, ilha Terceira, trabalhou na cidade de Angra do Heroísmo e na terra natal onde residiu.