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Teófilo Braga, “O Mastodonte” – Olegário Paz (som)

Teófilo Braga, “O Mastodonte” – Olegário Paz (som)

<p>Açorianidade - 132 [Teófilo Braga, "O Masthodonte". Rimskykorsacov, "The Snow Maiden"]<br /><br /><b><i>PorqueHojeEhSabado<br /></i></b><b>2012.12.29</b>J</p> <p> </p> <p align="right"> </p>

O MASTHODONTE *

 

 


O sol em braza, ao longe no occidente

          Desmaiado dardeja!

O torvellino varre o areal ardente,

Como faminta fera que fareja!

Onda apoz onda no dezerto agita,

D’um nimbo atro e poento o ár povôa;

Tal, por sobre a cidade impia e maldita

O flagello de Deus rapido vôa!

 

Mostra o simun de ingente masthodonte

          Alva, gigante ossada!

Do sol que luz na extrema do horisonte

Jórra atravez luz palida, coáda!

Como as cavernas de galera enorme

Arroja o mar ao areal deserto,

O vento ergue o sudario do que dorme,

Faz do ranger do[s] ossos um concerto.

 

Teóphilo Braga,

Tempestades sonoras **,

Porto, Em Casa da Viuva Moré – Editora,

1864.

 

 Joaquim Teófilo Fernandes Braga (1843-1924), escritor, político, poeta, nasceu em Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, viveu e trabalhou em Lisboa, onde faleceu.

 

* Mastodonte – Espécie de elefante pré-histórico.
** A modernidade de Tempestades Sonoras e Visão dos Tempos, de Teófilo Braga, e Odes Modernas, de Antero de Quental, provocou a ‘Questão Coimbrã’ (1865) que há de celebrizar a ‘Geração de 70’.

(Foto: Museu de História Natural de Roterdã/Remie Bakke)