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Um poema de João-Luís de Medeiros:

     a sombra do tempo…

Um poema de João-Luís de Medeiros: a sombra do tempo…

<i>Como poeta, sobretudo como anteriano, continua convicto de que a prática do Bem Comum desconhece a contabilidade da reciprocidade, porque, afinal, escreveu num sentido e-mail, "continuo a fazer parte duma geração moldada " na escola da tortura repetida, e no uso do penar tornado crente..."<br /> Lélia Nunes<br /></i>

a sombra do tempo…

… os deuses são pecadores cordiais
crentes na pequenez espiritual dos mortais.
O alfabeto da imaginação humana
tenta ignorar a realidade
escrita com lâminas de mil gumes.
Vamos decifrar o silêncio derramado
nas rugas eloquentes da nostalgia,
útero da dúvida a germinar ciúmes…

a algazarra na apanha dos aplausos
caídos no palco da ilusão da igualdade
é poeira levantada pela brisa da justiça
na ânsia de nos livrar deste degredo…
já se ouve o coro da fraternidade:
– Ó coragem – irmã-gêmea do medo
a muralha do bem não teme o assalto
dos legionários da fé na falsidade…

Lá vão os profetas a desfilar mentiras
cadenciadas em “passo-de-ganso”
nas alamedas floridas do sucesso…
– Que tenham o eterno descanso!
Mas os deuses parasitas da súplica
continuam avessos à fraternidade do mito
do Bem suspenso na sombra do tempo
no meigo barbante do infinito…

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2009

Legenda e Crédito: Lagoa das Sete Cidades,I.São MIguel. Açores
Lélia Nunes,jul.2010