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Valério Florense, “Da lã e do linho” Por Olegario Paz

<p>Açorianidade – 103 <br /><br />[Valério Florense, "Da lã e do linho". Helena Oliveira, "Alvorada-Sta Maria"]</p>

   

Valério Florense, "Da lã e do linho" Por Olegario Paz
‘tecedeira’ de Zé Penicheiro  

 

  
 
 

TRABALHOS DO LINHO E DA LÃ

A Jonas Negalha

Eu não conheço na vida
Lida mais alegre e sã
Do que os trabalhos do linho
Mais os trabalhos da lã.

Crianças – aves sem penas
E quantas vezes sem ninho! ­-
Vamos trabalhar a lã
Vamos trabalhar o linho!

Quando a minha mãe fiava
O fuso é que andava em moda­ –
Mas as meninas d’agora
Sabem só fiar na roda.

Anda à roda, minha roda,
Vamos fiar esta lã!
Também ando numa roda
Desde o romper da manhã.

O novelo é coração
Que anda na mão bem fechado…
Ai fio da nossa vida
Vais um dia ser cortado!

 
Não dês força à dobadoura,
Que esse fio é muito fino­ –
Talvez estejas dobando
O fio de algum destino.

Tecedeira, bate, bate,
Mostra que tens mão segura­ –
Quem urdira e quem tapara
Teia da boa ventura!

Valério Florense,
Atlânticos, Arquipélago,
Coimbra, Coimbra Editora, L. da, 1960.

Valério Florense é pseudónimo de José Luís de Fraga (1901-1968), padre, músico,  poeta, natural da freguesia de Fajã Grande, Flores, fez serviço religioso em diversas paróquias das ilhas Terceira, Faial, S. Jorge, S. Miguel e ilha natal onde veio a falecer. 

Imagens de:
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