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Vieira Goulart, “Quando os astros descendo ao mar inflado – c/áudio Olegário Paz

Açorianidade – 247 [Vieira Goulart, “Quando os astros descendo ao mar inflado”_Rodrigo Leão e Vox Ensemble, “Vitória”].

PorqueHojeEhSabado
2015.09.12




[Quando os astros descendo ao mar inflado]

Quando os astros descendo ao mar inflado
Convidam os mortais a sono brando,
As aves em seus ninhos repousando,
Na toca as feras dormem sem cuidado;

Depondo o lavrador o curvo arado
As mansas rezes no curral tapando,
As portas do tugúrio ferrolhando,
Da consorte fiel ressona ao lado;

Quando enfim todo o mundo em paz descansa,
Aflito só revolvo na memória
Da Jónia a sem razão a vil mudança,

Quanto a dita d’amor é transitória!
Como dos gostos vãos a vã lembrança,
Duplica em mágoa a passada glória!

Vieira Goulart1 , In “Antigualhas”2 ,

Boletim do Núcleo Cultural da Horta
, (vol. 2, nº 3),
Horta, 1961.

1. Neoclássico – grupo do Pilar: Manuel Inácio de Sousa (phes, 144), Cândida de Arriaga e outros.
2. Transcrito de «O Grémio Literário, do nº 7 de 15-8-1880 ao nº 39 de 1-2-1882.


Goulart, Francisco Vieira (1758-1830) chantre honorário da sé de Angra, escritor, poeta, natural da cidade da Horta, ilha do Faial, aí residiu e trabalhou até emigrar para o Rio de Janeiro, Brasil, onde veio a falecer.