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Vitaliano da Silveira:Nasce na manhã clara o belo Apolo, por Olegário Paz (Som)

Açorianidade, 275 PorqueHojeEhSabado 2016.03.26

Nasce na manhã clara o belo Apolo

Fatigando os cavalos com porfia,

E quando chega a noite húmida e fria

Vai renascer no clima doutro polo.

Por entre os bosques se enfurece Eolo

Cortando a flor mimosa que crescia,

Porem, descansa quando o fim do dia

Põe termo ao arbítrio de Timólo.

Tudo no tempo vário tem mudança,

Pois se troca a tormenta desabrida

Pelo semblante alegre da bonança.

Só eu, enquanto me durar a vida,

Não verei de piedade semelhança

No semblante gentil da dura Ermida.

Vitaliano da Silveira1, in “Antigualhas”2,

Horta, Boletim do Núcleo Cultural da Horta, (vol. 2, nº 3),

1961.

1 Neoclássico – grupo do Pilar: Manuel Inácio de Sousa (phes, 144), Cândida de Arriaga, Vieira Goulart (phes 247), Pereira de la Cerda (phes 257), Thomás da Soledade (phes, 270) e outros. 2 Transcrito de «O Grémio Literário, do nº 7 de 15-8-1880 ao nº 39 de 1-2-1882.
Silveira, Vitaliano José Brum da (1768-1816) poeta, guitarrista, nascido em Coimbra de pai faialense, viveu na cidade da Horta onde faleceu.