A primeira edição do festival Lume, que decorre no sábado nas Lajes do Pico, nos Açores, junta gastronomia, debates, workshops e música, numa iniciativa que pretende valorizar a cozinha e os produtos do arquipélago.
“O nosso grande objetivo cá nos Açores é realmente representar da melhor forma aquilo que é o produto e o produtor Açores. Num festival gastronómico não podia faltar essa representação. Durante o dia vamos ter alguns chefs convidados dos Açores e da Madeira a fazer alguns petiscos, mas o objetivo central será a assadura da carne do Ramo Grande, a nossa raça de vaca autóctone”, afirmou à agência Lusa Rafael Melo Ávila, chef do restaurante Bioma.
A ideia de criar um festival gastronómico partiu dos dois chefs do Bioma, Rafael Melo Ávila e Franco Pinilla, e contou com o apoio do município das Lajes do Pico, onde está localizado o restaurante.
O objetivo, segundo Franco Pinilla, era “levar os restaurantes à rua e estar mais perto da comunidade”.
Há quatro anos a viver no Pico, o chef argentino, destacou o crescimento da restauração na ilha, “principalmente pelo impulso que teve o vinho”.
“Acho que a restauração está a começar a crescer muito, porque tem de acompanhar também o crescimento do vinho e também não podemos esquecer que atrás da gastronomia dos Açores há cultura, património, há muita história”, vincou.
Para Rafael Melo Ávila, natural da ilha do Pico, “os Açores continuam a ser um destino muito ligado às suas raízes” e essa característica pode alavancar o turístico gastronómico.
“Nós aqui realmente temos muita conexão ainda com os primórdios daquilo que é viver, temos muito contacto com a terra, com os animais, com o mar, com a pesca, com modos de quase subsistência. E acho que é um bocadinho, hoje em dia, o que as pessoas estão à procura”, frisou.
“As pessoas cada vez mais procuram experiências autênticas, experiências verdadeiras e viver nos Açores é 100% uma experiência autêntica e verdadeira. Se nós mantivermos isto assim, as pessoas vão continuar a visitar-nos por isso mesmo”, acrescentou.
O festival junta na ilha do Pico chefs da ilha, de outras ilhas dos Açores e da Madeira.
Franco Pinilla defende que o crescimento gastronomia açoriana passa pela união de todos os intervenientes.
“Somos nove ilhas no meio do Atlântico. Temos de estar juntos, temos de pensar em comunidade, em conjunto, para evoluir de uma forma qualitativa. A cada ano estão a entrar mais turistas e a evolução tem de ser em conjunto para que estejamos alinhados no que se está a fazer e para manter uma certa qualidade”, sublinhou.
Um dos destaques do festival será o jantar de carne do Ramo Grande, proveniente da Quinta da Vermelhinha, que será assada lentamente numa grelha de estilo argentino.
A raça de bovino autóctone dos Açores, que tem Denominação de Origem Protegida (DOP), é de “porte muito grande” e era utilizada tradicionalmente no trabalho agrícola, para puxar carros de bois.
“Não é a raça de vaca que tem mais gordura infiltrada, mas é realmente uma carne muito saborosa, uma carne com sabor incrível. É uma carne que a cozinhá-la responde muito bem àquilo que um chef quer”, salientou Rafael Melo Ávila.
Para além dos chefs do Bioma, restaurante distinguido com um sol no Guia Repsol, o evento conta os chefs Rui Batista, do restaurante Latitude, também com um sol, Olavo Pereira, do projeto Atafona, e Ruben Soares, do restaurante Furna, da ilha do Pico.
De outras ilhas dos Açores, chegam os chefs José Pereira, do restaurante Otaka (recomendação do Guia Repsol), de São Miguel, Sérgio Nazaré, dos projetos Cantina da Praça & Sella’s, do Faial, e Catarina e Vasco Silveira do restaurante Pôr do Sal, da Terceira.
Participa ainda o chef César Abreu, do restaurante Audax, da ilha da Madeira, distinguido pelo Guia Michelin e com um sol do Guia Repsol.
O festival terá ainda um espaço dedicado a bebidas e produção local, com a presença de adegas e produtores de vinho do Pico e de outras bebidas regionais, produtores agrícolas e artesãos.
Entre as presenças confirmadas encontram-se a Adega do Vulcão, Azores Wine Company, A Cooperativa, A Cerca dos Frades, Adega Lucas Amaral, Curral Atlantis, Entre Pedras, Santana, Spot Lávico (que estará a servir vinhos das outras ilhas dos Açores), Cooperativa, Insula Vinus e A Buraca.
Estão previstos também momentos de debate sobre vinho, agricultura sustentável e cultura, ‘showcookings’ ao vivo e uma apresentação especial focada na história dos botes baleeiros.
O festival conta igualmente com as atuações de Mar&Ilha, Vira Lomba, Bárbara Maximino, Viegas DJ e Daniel Ferro.