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Luís M. Arruda ou os 50 anos de escrita científica publicada

Luís M. Arruda ou os 50 anos de escrita científica publicada

Crónica de Victor Rui Dores

 Luís M. Arruda 

ou os 50 anos de escrita científica publicada 

O Professor Luís M. Arruda é a lucidez de uma consciência crítica. Exigente,
inconformado, frontal, observador atento de realidades visíveis e invisíveis, animado pela
curiosidade científica e pelo interesse cultural, a sua formação científica fá-lo autor do
rigor e da minúcia. É um estudioso que trabalha a partir das fontes. 
Nasceu nesta cidade da Horta em 1944. Doutor em Ciências pela Universidade de
Lisboa, foi Professor na Faculdade de Ciências daquela Universidade. Como docente,
regeu numerosas disciplinas e orientou estágios, monografias e teses de doutoramento.
Como investigador, tem sido responsável por vários projectos de investigação,
especialmente na área da Ictiologia, e participado, activamente, em diversos congressos
nacionais e internacionais. Os resultados das suas investigações encontram-se em várias
dezenas de publicações em revistas científicas, nacionais e estrangeiras, e numa dezena
de livros. Investigador convidado no Centro de Estudos dos Povos e Culturas de
Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, foi coordenador-geral da
Enciclopédia Açoriana e editor do Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Cidadão interessado em contribuir para a valorização científica, histórica e
patrimonial da ilha do Faial, autor documentado, informado e bem apetrechado em termos
teóricos, com capacidade de informar, esclarecer, decifrar e avaliar, Luís M. Arruda dá um
tratamento criterioso e meticuloso a tudo o que escreve, reunindo milhares de referências
bibliográficas. 
Luís M. Arruda ou os 50 anos de escrita científica publicada
É autor de vastíssima e monumental obra científica, mas aqui limito-me a apontar
alguns dos seus mais recentes estudos: 
Correspondência Científica de Francisco de Arruda Furtado. Introdução, levantamento e
estudo de Luís M. Arruda. Prefácio de J. G. Reis Leite. Instituto Cultural de Ponta
Delgada. Ponta Delgada: 787 pp., 2002. 
Toponímia da Freguesia da Matriz da Horta (Biografias dos homenageados). Horta, Junta
de Freguesia da Matriz da Horta. Horta: 116 pp., 2007. 
Obra Científica de Francisco de Arruda Furtado. Introdução, levantamento e estudo de
Luís M. Arruda. Prefácio de Onésimo Teotónio Almeida. Instituto Cultural de Ponta
Delgada, Instituto Açoriano de Cultura. Ponta Delgada, Angra do Heroísmo: 780 pp.,
2008. 
Evolucionismo. Antecedentes e consequências. Atlântida, 55: 12-23. Angra do Heroísmo,
2010. Atas do Colóquio Evolucionismo, Darwin e os Açores, Praia da Vitória, 31 de
outubro de 2009. 
Jardins na Ilha do Faial (Açores). Horta, Câmara Municipal da Horta. Horta: 121 pp., 2009.
Manuel Joaquim Dias e as Ciências da Terra e da Vida, Atlântida, 58:127-144. Angra do
Heroísmo, 2013. 
Descobrimento Científico dos Açores. Do povoamento ao início da erupção dos
Capelinhos. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura: 422 pp., 2014. 
Francisco de Paula-e-Oliveira, militar e antropólogo. Abordagem à sua Obra científica.
Atlântida, 60: 261-280. Angra do Heroísmo, 2015. 
Evolucionismo nos Açores e Outros Estudos. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de
Cultura: 483 pp., 2015. 
Descobrimento Científico dos Açores. Da erupção dos Capelinhos à instalação do Instituto
Universitário dos Açores. Ponta Delgada, Sociedade Afonso Chaves – Observatório
Vulcanológico e Geotérmico dos Açores: 662 pp., 2018. 
Guerra do Ultramar. Caminhando Pela Memória e pela História. Horta, Junta de Freguesia
da Matriz – Horta: 144 pp., 2019. 
PRELIMINAR. Como a Ilha do Faial foi vista por alguns viajantes estrangeiros em meados
do século XIX. – Um bosquejo. In: My Sweet Fayal. Diário de Viagem de J. Pierpont
Morgan nos Açores
(Faial, novembro 1852 – abril 1853). Autora: Elisa Gomes da Torre.
Ponta Delgada, Letras lavadas Edições, 2021). 
Prefácio a Fauna Terrestre dos Açores, Guia de Campo. Autores: António M. Frias
Martins, Paulo A.V. Borges e Virgílio Vieira. Ponta Delgada, Letras Lavadas Edições,
2021. 
Descobrimento Científico dos Açores. De 1976 a 1985. Ponta Delgada, Sociedade Afonso
Chaves: 880 pp., 2022. 
Esta mais recente obra, que assinala 50 anos de escrita científica publicada (1972-
2022), incide sobre a história do conhecimento das ciências da Terra e da Vida nos
Açores. Tal como os dois volumes anteriores sobre esta temática, também este foi
organizado em 4 capítulos: o primeiro é dedicado à década inicial da Universidade dos
Açores. Criada, em 1976, como Instituto Universitário dos Açores, em 1980, deu origem à
Universidade dos Açores. Todavia, neste capítulo, a produção científica destas
instituições, interessando às Ciências da Terra e da Vida, reduzida em tempo de Instituto,
não foi tratada de modo separado. No segundo capítulo foram incluídas questões
interessando à geologia das ilhas e ao leito da bacia do Atlântico Norte. No terceiro
capítulo foram tratadas as contribuições para o entendimento dos tempos atmosféricos
condicionantes do ambiente em que viveram as plantas e os animais das ilhas. O quarto
capítulo foi dedicado ao ambiente marinho e às plantas e animais vivendo em redor das
ilhas ou ocorrendo próximo delas. 
Falta-me engenho e arte para poder aprofundar estas e outras questões de índole
científica, mas parece-me óbvio que não será possível falar-se sobre a construção do
conhecimento científico dos Açores sem recorrer à referida trilogia e às restantes obras de
Luís M. Arruda – cientista nosso a quem deveríamos dar todos mais atenção. Mas, já se
sabe: santos de casa…