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“Moinhos de Vento”, disco do grupo “ComCordas”

“Moinhos de Vento”, disco do grupo “ComCordas”

Crónica de Victor Rui Dores

Nas últimas quatro décadas, os Açores têm conhecido uma fase de inegável criatividade
musical. Um número considerável de autores, compositores, músicos e intérpretes,
profundamente enraizados na tradição popular da música portuguesa, sobressaindo a de
expressão açoriana, têm vindo a dar muito boa conta de si escrevendo, compondo e cantando
emoções, sentimentos e estados de alma, por um lado, e, por outro, expressando preocupações e
inquietações que questionam o sentido das coisas e da vida. 

Integra-se, nesta linha, o grupo graciosense “ComCordas”, que acaba de lançar o seu
primeiro disco, com o título de “Moinhos de Vento”, que inclui 16 temas, sete dos quais são
originais. Trata-se de uma viagem musical pela música tradicional e popular portuguesa,
nomeadamente a de expressão açoriana, e ainda pela balada intimista e pela música urbana
ligeira. 
Recorde-se que o projeto musical “ComCordas” tem a paternidade do incontornável
graciosense Valdemiro Santos, e surgiu no âmbito da Associação dos Músicos da Ilha Branca para
preencher uma lacuna que se fazia sentir nesta ilha na área da música tradicional e popular. Criado
em 2014, com o nome de “EnCanta”, sofreu mudanças de vária ordem, e a partir de 2017 passou a
denominar-se “ComCordas”. 
O grupo tem atuado em festas públicas e privadas na Graciosa, na ilha Terceira e, no
próximo dia 2 de julho, participará num Encontro de Grupos de Cantares, na ilha do Faial. 
Moinhos de Vento, disco do grupo ComCordas
O disco “Moinhos de Vento” é um trabalho coerente, consistente e orgânico. De inegável
qualidade e que se ouve com prazer e encanto. Dão corpo, voz e expressão ao “ComCordas” os
graciosenses Carlos Picanço, Daniela Santos, Fernando Bettencourt, João Natal Silva, José João
Mendonça, Pedro Picanço e Serafim Silva. Sem nunca perder de vista a raiz lírica da poesia
popular, o grupo traz a modernidade enxertada na seiva da tradição; estou aqui a falar de uma
memória insular, digo, uma música ancorada na terra e no mar. 
De resto, é muito oportuno o lançamento deste disco numa altura em que manifestamente
estamos a assistir à agonia lenta do CD, nós que já assistimos à morte do vinil, da cassete áudio e
do VHS. Curiosamente o vinil está a renascer, se bem que destinado apenas a um nicho de
melómanos. 
A verdade é esta: a indústria discográfica está em perda. O streaming é o que está a dar, a
indústria assenta nos espetáculos e não nos discos que vão perdendo valores. Os leitores de CD
vão deixando de ser vendidos, igualmente as novas viaturas deixaram de ter leitor de CD. E, no
entanto, todo o artista grava em CD por se tratar de uma plataforma de provada e comprovada
durabilidade. 
Porque todo o artista luta contra o esquecimento, “Moinhos de Cento” aí fica para
memória futura. E para que a Graciosa não seja esquecida nem se apague no mapa da
globalização.