O verão nos Açores arranca com um cenário preocupante para o setor do Alojamento Local – a Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA) estima uma quebra de cerca de 20% no número de reservas para os meses de verão, um reflexo direto da saída da Ryanair e do aumento dos preços das viagens para o arquipélago.
Segundo João Pinheiro, presidente da ALA, o fluxo de reservas está “com uma diminuição à volta dos 20%” – ao contrário de anos anteriores, as reservas de verão não parecem suficientes para “salvar o ano”, antecipando-se “muitas dificuldades em fechar o calendário e as empresas vão ter problemas nas suas contas”.
A partida da companhia aérea de baixo custo “disparou completamente os preços” para os Açores, especialmente através das companhias de bandeira como a TAP e a SATA.
A isto, soma-se a eliminação do teto máximo do Subsídio de Mobilidade, que faz com que o custo das viagens para o arquipélago se torne, na visão da ALA, um “destino proibitivo”.
O Subsídio Social de Mobilidade, criado em 2015, previa um reembolso para residentes das regiões autónomas, com base na diferença entre o custo da passagem e uma tarifa máxima – a eliminação do limite máximo de 600 euros por passagem para os Açores, que anteriormente existia, contribui para este cenário.
A Ryanair, que encerrou a sua operação nos Açores no final de março, alegou taxas aeroportuárias elevadas e tributação ambiental europeia como motivos para a sua saída.
Apesar das tentativas do Governo Regional dos Açores para manter a companhia, estas foram infrutíferas. Paralelamente, a Ryanair tem vindo a reduzir a sua operação noutras regiões, como Berlim e aeroportos espanhóis, privilegiando destinos considerados mais competitivos.