A saída da Ryanair dos Açores, efetiva a partir de 29 de março, começa a sentir-se no turismo, com mais de metade das unidades de alojamento local a registarem taxas de ocupação abaixo dos 50% para a Páscoa.
Um terço destas unidades não tem qualquer reserva, alertou esta sexta-feira a Associação de Alojamento Local (ALA) dos Açores.
João Pinheiro, presidente da ALA, considera a Páscoa o “primeiro teste” ao setor, sublinhando que a redução de lugares aéreos afetará não só o alojamento, mas também a restauração, o comércio e outros serviços.
Atualmente, o alojamento local representa 62% da capacidade de alojamento no arquipélago, com 4.600 unidades.
A associação teme que, sem uma estratégia turística e de mobilidade aérea eficaz, os Açores percam competitividade face a destinos como o Algarve, Madeira ou Canárias.
A preocupação estende-se à época alta, com um ritmo de reservas inferior aos anos anteriores, o que poderá colocar em risco a tesouraria de pequenas e médias empresas, com elevada sazonalidade.
João Pinheiro adverte que muitos empresários poderão ser forçados a vender ou arrendar as suas unidades, caso não haja um investimento estratégico no turismo.
A saída da Ryanair, num contexto de instabilidade internacional e com concorrência acentuada, levanta receios de uma retração na economia açoriana, com impacto no emprego, rendimentos e receitas fiscais.
A expetativa é de uma pressão nos preços das viagens, tornando os Açores menos competitivos.