O fim da operação da Ryanair nos Açores, efetivo a partir de 29 de março, gera apreensão entre os empresários do arquipélago, que temem um impacto negativo no turismo, um dos pilares da economia regional.
A companhia aérea irlandesa cessou as suas ligações ao continente (Lisboa e Porto para São Miguel e Terceira) devido a taxas aeroportuárias e tributação ambiental.
Apesar das tentativas do Governo Regional em manter a operação, iniciada em 2015, a Ryanair manteve a sua decisão.
O Executivo, liderado por José Manuel Bolieiro, e a Secretária do Turismo, Berta Cabral, afirmam estar a trabalhar com a TAP e SATA para mitigar o impacto e a procurar atrair novas companhias a médio prazo.
A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) estima que a saída da Ryanair possa reduzir o PIB regional entre 1,5% e 1,7% anualmente, o que corresponde a uma quebra de cerca de 104,5 milhões de euros. A companhia aérea era responsável por uma quota significativa das dormidas turísticas.
A decisão da Ryanair surge poucos dias após a operação ‘Last Call’ da Polícia Judiciária, que investiga suspeitas de favorecimento a uma companhia aérea por parte de uma entidade pública, com possíveis contratos financiados pelo Programa Operacional dos Açores 2030 – o Governo Regional assegura total colaboração com as autoridades.
O meio empresarial açoriano, em especial os setores hoteleiro, de restauração, alojamento local e empresas de animação turística, expressa preocupação com a redução de conectividade e a potencial pressão nos preços dos voos, tornando os Açores menos competitivos face a destinos como Madeira e Canárias – a SATA, por seu lado, acompanha a situação e avalia como mitigar constrangimentos.