A raça autóctone do burro anão da Graciosa, reconhecida em 2015, ainda corre risco de extinção, alertou hoje a Associação de Criadores e Amigos, que vai apostar na sua divulgação junto dos mais novos.
Segundo a presidente da Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da Ilha Graciosa, Graça Mendonça, atualmente estão registados 127 animais desta raça, que se encontram na ilha Graciosa e em outras ilhas do arquipélago, como Pico, Santa Maria e São Jorge.
“O nosso trabalho vai no sentido de aproximação aos criadores e na ajuda para a preservação desta raça autóctone aqui dos Açores e que ainda está, de facto, em risco de extinção, dado o seu número de efetivo. Neste momento temos registados 127 animais, no total”, disse hoje a dirigente à agência Lusa.
Graça Mendonça exerce as funções de presidente da direção da associação desde outubro de 2025, mas está ligada ao burro típico da Graciosa desde os tempos da Universidade, quando fez o trabalho do estudo genético e morfológico que levou ao reconhecimento da raça, em 29 de junho de 2015.
A dirigente reconhece, no entanto, que o número de exemplares aumentou na região “desde que foi comprovada a raça” e passou a ser atribuído um subsídio aos criadores cujos animais estejam “dentro do padrão” da linhagem.
“De facto, o isolamento e, (por) ainda quem tem alguns destes exemplares ser a população mais idosa, muitas vezes dificulta os cruzamentos, ou seja, quem tem um macho às vezes não tem uma fêmea. Claro que agora já vamos conseguindo que alguns novos criadores tenham mais animais, mas ainda há muitas pessoas que têm ou um macho ou uma fêmea e, normalmente, ainda não estão muito abertas a emprestar só para cruzamento ou para fazer venda/troca de animais”, explicou.
A presidente da Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da Ilha Graciosa indicou que existem exemplares destes animais em outras ilhas do arquipélago, cujos proprietários se tornaram sócios para terem ajuda “na parte do registo” da raça.
“Com o trabalho de divulgação, houve um aumento do interesse por parte das pessoas de outras ilhas e era bom e gostávamos nós que existissem mais exemplares para se poderem espalhar mais, porque, de facto, muitas vezes há pessoas que têm interesse em adquirir, mas não é fácil ainda arranjar animais para vender”, disse.
A atual direção da associação pretende avançar com iniciativas que permitam divulgar a raça do burro anão da Graciosa e aumentar o número de criadores e de proprietários nos Açores.
Uma das ideias passa pela sensibilização dos alunos das escolas. A anterior direção já fazia atividades nas escolas, recebia visitas de estudo e promovia o contacto com os animais e a atual equipa diretiva, liderada por Graça Mendonça, pretende “reforçar e continuar esse trabalho, que é de extrema importância” e, se possível, alargá-lo a todo o arquipélago.
“Depois, também gostávamos de fazer um trabalho de asinoterapia, para mostrar que estes animais têm outro potencial bastante importante, na parte das terapias. E, de facto, aumentar a divulgação e mostrar que a associação está disponível para ajudar todos aqueles criadores ou novos criadores ou amigos que queiram saber mais, ou adquirir um animal ou tenham dúvidas sobre os cuidados que devem ter”, adiantou.
Segundo a dirigente, apesar do burro anão ser uma raça autóctone da Graciosa, a instituição tem “todo o gosto que outras ilhas também tenham este animal”.
Foi no seguimento do trabalho iniciado, em 2007, pelo italiano Franco Ceraolo, que foi viver para a ilha Graciosa, conhecida como “a ilha dos burros”, que foi criada a Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da Ilha Graciosa, a 19 de março de 2013. A associação, com o apoio da Universidade dos Açores, conseguiu o reconhecimento da raça em 2015.
Segundo a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), o burro anão da Graciosa, “cuja denominação se deve à sua pouca estatura, uma vez que mede pouco mais de um metro de altura ao garrote”, caracteriza-se “pelas riscas mais escuras nas costas, que sobressaem no seu pelo habitualmente cinzento”.
“Muito mansos e de andar pausado, os burros da Graciosa são ideais para acompanhar os viajantes nos seus percursos pelos trilhos desta e de outras ilhas do arquipélago, onde existem também alguns animais desta raça tão peculiar”, indicou a AEPGA.