A Câmara Municipal das Lajes do Pico está empenhada em levar o bote baleeiro açoriano ao estatuto de Património da Humanidade da UNESCO, com uma candidatura prevista para 2027.
O objetivo é proteger e valorizar “aquilo que tanto orgulha” a identidade açoriana, após o reconhecimento da atividade baleeira como Património Imaterial Português, cuja candidatura nacional foi entregue em junho de 2025.
A presidente da Autarquia, Ana Brum, explicou que a candidatura à UNESCO só avançará após a aprovação a nível nacional.
Com apenas dois construtores navais de botes baleeiros no arquipélago, a Autarquia corre contra o tempo para evitar a perda deste conhecimento ancestral – a urgência é real, comparando com o barco moliceiro de Aveiro, inscrito na lista de salvaguarda da UNESCO com seis construtores, quando nos Açores já só existem dois.
Para salvaguardar este legado, a Câmara assinou um contrato com o mestre João Tavares, de 80 anos, para a reconstrução do bote “Maria Regina”. Este projeto, orçado em cerca de 58 mil euros, integra um plano mais vasto que inclui aulas de vela e remo para os alunos, publicações e a reabilitação da antiga fábrica da baleia e da Casa dos Botes.
“É fundamental estarmos todos juntos nesta candidatura, sobretudo porque, se tudo correr bem, será a primeira candidatura à UNESCO do património imaterial açoriano”, sublinha Ana Brum, numa “corrida contra o tempo” para proteger a identidade da vila baleeira.