O Teatro Micaelense, ícone cultural de Ponta Delgada e de todo o arquipélago açoriano, enfrenta um futuro incerto.
A Administração da instituição, que celebra 75 anos, alerta para a insuficiência do contrato-programa de 850 mil euros, que compromete a programação e a sustentabilidade operacional.
Segundo Maria José Duarte, presidente do Conselho de Administração, o edifício, inaugurado em 1951, apresenta “sinais de desgaste” que exigem intervenções urgentes, como a reparação da cobertura e a substituição de estruturas afetadas por térmitas.
As infiltrações existentes podem comprometer a estrutura do edifício e os seus sistemas – a gestão financeira é descrita como “de sobrevivência”, forçada pela pressão dos custos fixos e pela necessidade de obras dispendiosas.
A dependência da bilheteira e do aluguer de espaços não colmata as necessidades – a presidente defende que a cultura é um serviço público estratégico e que a sua entrega ao setor privado “representaria uma demissão do Estado das suas responsabilidades sociais”, pondo em causa a diversidade e acessibilidade cultural.
Sem uma revisão do financiamento e um plano de obras, a sustentabilidade da instituição a médio prazo está em risco.