Geoparque Açores em 5 minutos
A conservação geológica, a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável do Geoparque Açores.
A conservação geológica, a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável do Geoparque Açores.
Aso Unesco Global Geopark, no Japão, e o Geoparque Açores, realizaram uma reunião de trabalho que conduzirá à geminação dos dois territórios unidos pela identidade vulcânica que os caracteriza. Uma oportunidade enriquecedora para ambos os territórios que foi partilhada com os parceiros do Aso UNESCO Global Geopark. A geminação entre estes dois geoparques, reconhecidos pela UNESCO como instrumentos para o desenvolvimento sustentável, permitirá ainda fortalecer as ligações entre comunidades que vivem diariamente com os riscos geológicos. Mais do que um acordo formal, é uma celebração da capacidade de transformar paisagens desafiantes em territórios de conhecimento, resiliência e identidade. A cooperação entre o Geoparque de Aso e o Geoparque Açores demonstra que a geodiversidade pode aproximar regiões distantes e inspirar novas formas de proteger, valorizar e compreender o planeta que habitamos.
No passado dia 2 de fevereiro assinalou-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas e o Dia Nacional do Vigilante da Natureza. As zonas húmidas correspondem a um dos ecossistemas mais ricos e produtivos do mundo, mas são também dos mais sensíveis e ameaçados, pela intensificação da agricultura, urbanização, entre tantas outras. Pela necessidade de preservação destes ecossistemas, a 2 de fevereiro de 1971, na cidade iraniana de Ramsar, foi assinado um tratado intergovernamental, geralmente conhecido como 'Convenção RAMSAR?' e que terá sido o primeiro dos tratados globais sobre conservação. Os sítios RAMSAR são áreas classificadas como Zonas Húmidas de Importância Internacional, nos Açores existem 13 sítios RAMSAR, que foram classificados em grande parte devido à sua raridade dentro da região biogeográfica da Macaronésia. Os Sítios Ramsar são zonas húmidas de importância internacional classificadas ao abrigo da Convenção sobre Zonas Húmidas de importância internacional, também conhecida como Convenção de Ramsar, para as quais é estabelecida uma estratégia de conservação que visa a manutenção do seu carácter ecológico através da implementação de políticas de uso racional e sustentável. Nos Açores existem zonas húmidas costeiras (com influência marinha) e zonas húmidas terrestres (sem influência marinha direta): Corvo Caldeirão do Corvo Flores Planalto Central - Morro Alto Faial Caldeira do Faial Pico Planalto Central - Achada São Jorge Planalto Central - Pico da Esperança São Jorge Lagoas das Fajãs da Caldeira e dos Cubres Graciosa Caldeira da Graciosa - Furna do Enxofre Terceira Planalto Central - Furnas do Enxofre e Algar do Carvão Terceira Paúl da Praia da Vitória São Miguel Complexo Vulcânico das Furnas São Miguel Complexo Vulcânico das Sete Cidades São Miguel Complexo Vulcânico do Fogo Santa Maria Ilhéus das Formigas e Recife Dollabarat De uma forma geral as Zonas Húmidas: · Fornecem serviços ecossistémicos fundamentais, sendo reguladoras de regimes hídricos e fontes de biodiversidade a todos os níveis (genéticos, espécies e ecossistemas); · Constituem um recurso de grande valor económico, científico, cultural e recreativo para as comunidades envolventes; · Desempenham um papel vital de adaptação e mitigação nos processos de alteração climática. A convenção RAMSAR é reconhecida pela UNESCO o que contribui para o reconhecimento internacional dos Açores enquanto território que sobrepõem todas as designações UNESCO. Dia Nacional do Vigilante da Natureza - uma data dedicada a reconhecer o trabalho desenvolvido pelos Vigilantes da Natureza em Portugal - profissionais que, ao longo de todo o ano, asseguram a proteção de um dos maiores tesouros do arquipélago: o nosso património natural. Nos Açores, o papel dos vigilantes é particularmente exigente e essencial. Cabe-lhes a vigilância e fiscalização das áreas protegidas, o acompanhamento de visitantes, a sensibilização ambiental, a monitorização de ecossistemas terrestres e marinhos, o apoio em ações de conservação da natureza e a intervenção em situações de risco ou ameaça ao equilíbrio ambiental. São muitas vezes o primeiro rosto no terreno, são o elo direto entre a população, a paisagem e a natureza que pretendemos preservar. O Geoparque Açores deixa hoje um agradecimento especial a todas as equipas de Vigilantes da Natureza que, em cada ilha asseguram a manutenção de geossitios que faz parte da estratégia de geoconservação do geoparque Açores
No passado dia 14 de janeiro, na ilha Terceira, aconteceu a apresentação pública do projeto BioMUST4All - experienciar a biodiversidade nos Açores de forma inovadora e inclusiva. O evento marcou o início de uma iniciativa pioneira que será desenvolvida entre dezembro de 2025 e novembro de 2028, com o objetivo de transformar o turismo de natureza nos Açores através da acessibilidade, inovação e sustentabilidade. É um projeto liderado pela Universidade dos Açores e Fundação Gaspar Frutuoso, em parceria com o AIRCentre, a CRESAÇOR e a Via Oceânica, que pretende desenvolver novas formas de fruição da biodiversidade dos Açores. BioMUSTs: Novos Percursos Acessíveis na Natureza O coração do BioMUST4All está nos BioMUSTs, hotspots de biodiversidade que permitam conhecer melhor o património natural e cultural do nosso território. Podem ser pequenos trilhos e locais de observação de biodiversidade, que serão desenhados para proporcionar experiências de natureza seguras, informadas e acessíveis a todos os visitantes, incluindo pessoas com deficiência ou com qualquer outro tipo de limitação no acesso a determinados locais. Cada BioMUST será desenhado e valorizado segundo princípios de Design Universal e alinhado com a norma ISO 21902 para o turismo acessível (define exigências e recomendações para garantir que todas as pessoas - independentemente da idade, condição física, sensorial ou cognitiva - possam aceder e usufruir do turismo em igualdade de condições). Estes percursos integrarão materiais interpretativos inovadores, ferramentas práticas de aprendizagem e suportes multiformato que tornarão o conhecimento sobre biodiversidade mais próximo e compreensível para todos. O projeto prevê a criação ou requalificação de cinco percursos, distribuídos pelas ilhas Terceira, Graciosa e São Miguel. O BioMUST4All responde ao desafio de tornar os espaços naturais mais inclusivos, reduzindo barreiras físicas, sensoriais e informativas que historicamente condicionam o acesso à natureza. Simultaneamente, reforça o posicionamento dos Açores como destino de turismo sustentável, alinhado com a Estratégia da União Europeia para a Biodiversidade e com as prioridades regionais de conservação ambiental e gestão responsável das áreas naturais. A universidade dos Açores e o AIR Centre desempenham um papel essencial na componente de monitorização integrando ferramentas inovadoras para compreender e acompanhar a evolução dos ecossistemas terrestres e marinhos. No ambiente terrestre, o Centro liderará atividades de deteção remota, produzindo dados de referência que permitirão analisar tendências de biodiversidade à escala local e apoiar decisões de gestão baseadas em evidência científica. Nos ambientes marinhos, o AIR Centre desenvolverá e aplicará indicadores associados às Variáveis Oceânicas Essenciais, caracterizando tendências, variabilidade e interações que sustentam a saúde dos ecossistemas oceânicos. Uma Visão Colaborativa para o Futuro A sessão pública foi seguida de uma reunião de trabalho entre todas as entidades envolvidas, incluindo o Conselho Consultivo, do qual o Geoparque Açores faz parte. A reunião foi dedicada à definição dos critérios de seleção dos locais BioMUST e ao alinhamento das metodologias que orientarão o desenvolvimento das diferentes fases do projeto. A colaboração entre parceiros garante um enquadramento sólido entre ciência, inclusão social, conservação ambiental e valorização do património natural. O BioMUST4All pretende valorizar a biodiversidade icónica dos Açores, contribuir para a sua monitorização e conservação, e assegurar que todos os cidadãos possam experienciar a riqueza natural do arquipélago, sem exceção.
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