Geoparque Açores em 5 minutos
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07 Jul, 2026
07 Jul, 20268min
Rota Urbana da Ribeira Grande
A ilha de São Miguel, em conjunto com Santa Maria integra o Grupo Oriental, é a maior ilha do arquipélago e a mais populosa, concentrando mais de metade da população dos Açores. O seu vulcanismo está associado a quatro grandes edifícios vulcânicos poligenéticos: Povoação, Furnas, Sete Cidades e Fogo, e a duas áreas de vulcanismo predominantemente basáltico: o Complexo Vulcânico do Nordeste e o dos Picos. No conjunto, a ilha apresenta cerca de 500 vulcões monogenéticos, várias lagoas e uma grande diversidade de manifestações geotérmicas, como águas minerais, fumarolas e nascentes termais, que refletem a riqueza da sua geodiversidade. Em tempos históricos ocorreram também várias erupções, destacando-se as de 1563, 1630 e 1652, bem como a erupção submarina da Ilha Sabrina, em 1811. É neste enquadramento que se insere a cidade da Ribeira Grande, cuja descoberta propomos agora através da sua GEO rota urbana. Implantada no sopé do flanco norte do vulcão do Fogo, a Ribeira Grande desenvolve-se como uma cidade costeira, atravessada por uma importante linha de água - a ribeira que lhe dá nome - ao longo da qual se implantaram moinhos e espaços associados à atividade agrícola. A sua história remonta ao início do povoamento, tendo sido elevada a vila em 1507, num contexto de rápido crescimento associado à fertilidade dos seus solos vulcânicos. No entanto, em 1563, uma crise sismovulcânica associada ao vulcão do Fogo provocou a destruição de parte significativa da área, nomeadamente na Ribeira Seca. Apesar disso, a povoação recuperou ao longo dos séculos seguintes e viria a ser elevada a cidade em 1981, mantendo até hoje um importante património histórico e arquitetónico. É precisamente neste património que se torna evidente a forte ligação à geodiversidade da ilha. No património edificado da Ribeira Grande destaca-se o uso de diferentes tipos de cantaria, diretamente relacionados com a geodiversidade envolvente - em particular o uso do basalto e do traquito. O basalto é a rocha mais comum. Trata-se de uma rocha vulcânica associada a erupções efusivas de magmas básicos, geralmente de cor escura e de grão fino. Na Ribeira Grande, o basalto é amplamente utilizado em estruturas e elementos arquitetónicos, sendo visível, por exemplo, nos Passos do Concelho, o Museu municipal, a Ponte Sousa e Silva, nos edifícios do antigo mercado municipal e em diversas molduras e pavimentos da cidade. Outra rocha presente é o traquito, uma rocha vulcânica mais rica em sílica, associada a magmas ácidos a intermédios. Apresenta geralmente cor mais clara e textura compacta, com cristais de feldspato visíveis. O traquito surge também no edificado da Ribeira Grande, sendo utilizado sobretudo em elementos específicos e de maior detalhe, como blocos decorativos em edifícios religiosos ? por exemplo, na Ermida de Santo André, onde aparecem raros blocos desta rocha. Igreja Matriz da Ribeira Grande, Igreja da Misericórdia (traquito com remodelações em basalto ? novos blocos)? Também nas ermidas e edifícios históricos da cidade, os elementos decorativos - como arcos, molduras e escadarias - revelam o uso cuidadoso destas rochas vulcânicas, evidenciando o aproveitamento dos materiais locais ao longo do tempo. No fundo, esta rota urbana permite compreender que a Ribeira Grande não é apenas um espaço construído, mas o resultado direto da interação entre a dinâmica vulcânica da ilha e a ação humana. Convida-nos, assim, a olhar para a cidade com um novo olhar: um olhar geológico, onde cada edifício reflete a história vulcânica de São Miguel e a forma como essa geodiversidade foi integrada na identidade urbana.
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30 Jun, 2026
30 Jun, 20269min
(Geo)Rota Urbana de Vila do Porto
A ilha de Santa Maria é o berço geológico dos Açores: emergiu do oceano Atlântico há cerca de seis milhões de anos, na zona da atual Baía dos Cabrestantes, onde estão as rochas mais antigas dos Açores. Sem vulcanismo ativo, esta ilha inclui diversos complexos vulcânicos, na sua quase totalidade de rochas basálticas s.l., quer submarinas quer associadas a um vulcanismo terrestre ou subaéreo. Para além da idade das suas formações geológicas, Santa Maria apresenta três características geológicas únicas e que a distinguem das restantes ilhas do arquipélago: i) importantes afloramentos de escoadas lávicas submarinas (lavas em almofada ou pillow lavas); ii) diversas rochas sedimentares consolidadas, como calcários, arenitos, argilitos e conglomerados e, iii) um notável conteúdo fossilífero em muitas destas rochas sedimentares.
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16 Jun, 2026
16 Jun, 20269min
Património Cultura e Geodiversidade | Sugestão
Por esta altura, costumamos sugerir que visitem e descubram os geossítios do Açores Geoparque Mundial da UNESCO. Este ano, além das visitas aos geossítios, sugerimos aos açorianos que olhem para as suas freguesias, vilas e cidades, para as suas festas e tradições - com um olhar diferente. Em algumas paisagens açorianas coexistem aspetos geológicos e culturais com elevado valor patrimonial, entre os quais se incluem as paisagens vínicas, os campos agrícolas com rendilhado de muros de pedra seca, os maroiços e os paredões... A arquitetura típica do arquipélago reflete igualmente a geodiversidade açoriana, uma vez que vários edifícios antigos apresentam diferentes rochas ornamentais e estilos arquitetónicos - como fortificações militares, solares, mosteiros e igrejas - relacionando-se diretamente com os recursos disponíveis. Existem ainda ruínas de antigas construções que perpetuam a memória de fenómenos geológicos, como erupções e sismos: Fontanário da Ribeira Seca, São Miguel ? erupção de 1563; ruínas da igreja da Urzelina, São Jorge - erupção de 1808; ruínas do farol e casas dos baleeiros dos Capelinhos - erupção de 1957/58; ruínas do farol da Ribeirinha - sismo de 1998. Algumas destas paisagens culturais integram a lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO: - o Centro Histórico de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, classificado em 1983, por ter sido um porto de escala obrigatório aquando dos Descobrimentos Marítimos, entre os séculos XV e XIX. As suas imponentes fortificações de São Sebastião e de São João Baptista, construídas há mais de 400 anos, são um exemplo único de arquitetura militar; - a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, classificada em 2004, por ser um exemplo notável que ilustra uma resposta única dos primeiros colonos no século XV que através da vinicultura transformaram uma paisagem rochosa e aparentemente improdutiva, num mosaico de pequenos talhões cintados de muros de pedra, testemunho do trabalho de gerações de pequenos agricultores que, num ambiente hostil, conseguiram criar um modo de vida e um vinho de grande qualidade. Reconhecendo a importância do Património Arqueológico Subaquático, a baía de Angra do Heroísmo está classificada como Parque Arqueológico Subaquático. Esta iniciativa tem como intuito divulgar, sensibilizar e possibilitar a partilha desta herança com a comunidade local, seus visitantes e especialistas em arqueologia náutica e subaquática. O arquipélago possui, também, um rico património imaterial, representado pelo seu Folclore e Etnografia, distintos nas diversas ilhas.
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02 Jun, 2026
02 Jun, 20266min
Dia dos Vulcões
No dia 1 de junho, além do dia da Criança, assinala-se também o Volcano Day ou Dia dos Vulcões, uma iniciativa promovida no âmbito do Grupo de Trabalho dos Geoparques em Áreas Vulcânicas da Rede Europeia de Geoparques, e que se enquadra na Semana Europeia de Geoparques. Este grupo de trabalho reúne geoparques localizados em territórios vulcânicos ativos ou com forte herança vulcânica. O seu principal objetivo é partilhar conhecimento e boas práticas no que diz respeito à interpretação do património geológico, à educação das comunidades e visitantes e à mitigação de riscos associados à atividade vulcânica. Hoje, ao celebrarmos o Volcano Day, celebramos também os nossos vulcões enquanto elemento central da identidade açoriana. É uma oportunidade para olhar para estas paisagens sob duas perspetivas complementares: por um lado, a sua face bela, enquanto origem de paisagens únicas, de elevada geodiversidade e biodiversidade e de um património cultural profundamente moldado pela identidade vulcânica; por outro, a sua face mais desafiante/horrível, associada aos riscos geológicos que fazem parte da realidade destes territórios. Neste contexto, estão previstas atividades em todas as ilhas, reforçando a proximidade às comunidades e promovendo o conhecimento do património geológico. Em algumas ilhas, o Açores Geoparque associa-se também aos municípios para assinalar o Dia da Criança, promovendo atividades dedicadas aos mais novos, com enfoque nos vulcões e na compreensão dos fenómenos naturais de forma acessível e educativa. Na ilha Terceira, em parceria com a Direção Regional do Turismo, será realizada uma ação de validação no terreno da Rota dos Vulcões, recentemente revista, contribuindo para a qualificação da oferta e para a valorização de um dos principais produtos turísticos associados ao território. Em suma, o Volcano Day constitui uma oportunidade para celebrar, compreender e valorizar os territórios vulcânicos, reconhecendo simultaneamente a sua beleza e os desafios que colocam, e reforçando o seu papel na educação, no desenvolvimento sustentável e na afirmação dos geoparques enquanto territórios de conhecimento e identidade.
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26 Mai, 2026
26 Mai, 20265min
Semana Europeia de Geoparques
A Semana Europeia de Geoparques, conhecida como EGN Week, constitui uma das principais iniciativas promovidas pela Rede Europeia de Geoparques. Trata-se de um evento anual, celebrado em simultâneo em todos os Geoparques Mundiais da UNESCO da Europa, normalmente entre o final do mês de maio e o início de junho. A edição de 2026 decorre entre os dias 24 de maio e 7 de junho, mantendo este espírito de celebração partilhada à escala europeia. Esta iniciativa assume-se como uma verdadeira celebração dos geoparques enquanto territórios vivos, onde a conservação do património geológico se articula com a valorização da biodiversidade, da cultura e das comunidades locais. O seu principal objetivo é sensibilizar o público para a importância dos geoparques no desenvolvimento sustentável dos territórios. Ao longo desta semana, os geoparques europeus organizam um conjunto diversificado de atividades dirigidas a diferentes públicos, desde a comunidade escolar até ao público em geral. Entre as iniciativas previstas destacam-se visitas guiadas a geossítios, caminhadas interpretativas, workshops, exposições, palestras, atividades educativas, ações de sensibilização ambiental e eventos culturais. Mais do que a soma de atividades, a Semana Europeia de Geoparques representa também um momento de articulação e visibilidade conjunta, em que todos os geoparques da rede promovem, em simultâneo, os seus territórios. Esta dimensão reforça o sentimento de pertença a uma rede europeia, evidenciando que cada geoparque integra uma estratégia comum. No âmbito da edição de 2026, o Geoparque Açores dinamiza um programa diversificado de atividades distribuídas por várias ilhas do arquipélago, envolvendo diferentes parceiros institucionais, científicos e educativos. Destacam-se iniciativas focadas na valorização do património geológico açoriano, em particular na relação entre geodiversidade e património cultural, como é o caso da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico. Estão igualmente previstas atividades inclusivas dirigidas a públicos específicos, ações relacionadas com a educação ambiental, experiências imersivas com recurso a tecnologias como realidade virtual e eventos que cruzam ciência, cultura e território. A programação integra parcerias com municípios, centros de ciência, museus e entidades regionais, reforçando a dimensão colaborativa do Açores Geoparque Mundial da UNESCO. Em suma, a Semana Europeia de Geoparques é uma oportunidade privilegiada para aproximar o público dos territórios, fomentar o conhecimento e reforçar o compromisso coletivo com a preservação do património natural e cultural, promovendo simultaneamente desenvolvimento, educação e identidade.
